“O relacionamento amoroso pode ser compreendido como “um fenômeno afetivo e social”. E, ao longo dos anos, o reconhecimento da condição social das configurações amorosas adquiriu formas variadas: casal, namorados, companheiros, parceiros, “ficantes”, entre outros.
O par amoroso ou casal é uma unidade afetiva, emocional e social, definida não apenas pela união de duas pessoas, mas também por variáveis que interferem no cotidiano.

A relação amorosa, ou forma de se relacionar, do par amoroso, se dá através da soma da história familiar de cada indivíduo, bem como a própria história do casal, principalmente, pela forma como cada um considera o outro.

E a configuração do par amoroso se dá “a partir da trama e dos mitos familiares, dos pactos de lealdade, dos vínculos relacionais, dos sistemas de crenças e valores e da comunicação da qual os pares amorosos se formam. (Cruz, Wachelke e Andrade, 2012)

Na nossa cultura, o vínculo amoroso está ligado a uma forma romântica, em uma visão de que ambos se fundem, se completam. A pessoa mantém a ideia de que é preciso ter “um ao outro” para se completar, muitas vezes, levando ao sofrimento e à desintegração de si mesmos.

Se há uma crença de que a pessoa será inteira somente com outra, a identidade individual se perde e se confunde nessa relação. As cobranças, os sentimentos de inferioridade e desqualificação vão tomando proporções e, consequentemente, ocupando o lugar do prazer, da felicidade e do bem estar.

Dessa forma, quanto mais a relação perde o prazer e a qualidade, menos se deseja estar nessa relação.

É importante perceber o quanto de si é responsável por essa relação, e isso nem sempre é fácil. Por isso, a autoestima torna-se fundamental, “uma vez que pessoas equilibradas apresentam mais condições de perceber a si e ao outro e de identificar o que cada um atribui e deposita na relação amorosa.” (Cruz, Wachelke e Andrade, 2012)

É preciso que o indivíduo entenda que ele é unicamente responsável por si mesmo e pela sua felicidade, e não o outro. Usufruindo, assim, da sua liberdade para realizar escolhas e tomar suas próprias decisões, baseadas na percepção de si mesmo, do mundo e do contexto em que se encontra. Isso é maturação.

É esse processo de consciência de si mesmo e das próprias atitudes, é essa maturação, que fará com que o indivíduo reconheça suas responsabilidades, atitudes e a sua posição quanto a um relacionamento.

O outro não é responsável pelas rédeas da sua vida ou da sua felicidade. Namorar não significa abrir mão do que você é para ser o que o outro projeta em você. É preciso reconhecer que uma relação é feita por duas pessoas, portanto, duas pessoas com gostos, pensamentos, concepções e visões diferentes.

O outro não é obrigado a pensar por você e, muito menos, adivinhar o seu pensamento. É importante, para tanto, que haja comunicação de forma clara. Muitas relações se desfazem por não conseguir expressar o que um sente em relação ao outro.

Muitas vezes, queremos que o outro adivinhe as nossas vontades, o que gostaríamos de ganhar, de fazer, aonde ir, mas não temos a compreensão de comunicá-las. Esperamos sentados até que o outro adivinhe os nossos pensamentos, as nossas vontades.

A dificuldade em reconhecer o grau de autonomia de cada um quanto as escolhas, decisões e pensamentos em relação ao outro é muito constante.

Cada relacionamento se configura de acordo com as necessidades e expectativas únicas de cada um dos indivíduos que compõe essa unidade, chamada de relação.

A partir do momento que um indivíduo reconhecer o seu eu como um ser único, será possível obter um relacionamento mais saudável, comunicativo e congruente. Consequentemente será possível dar a felicidade um novo rumo, um novo sentido e uma nova completude.

Será possível reconhecer que a responsabilidade pela sua felicidade está unicamente ligada à você e que o outro é um complemento, e não a totalidade.”

Trecho do livro:  Avaliação e Medidas Psicológicas no contexto dos relacionamentos amorosos. 2012. Ed. Casa do Psicólogo

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